D. IÑIGO, CAVALEIRO

D. Iñigo, cavaleiro,
velador da fé, saúdo
o teu garbo prisioneiro
de Cristo e do seu Escudo.

No castelo dos Loyolas,
em Guipúzcoa, te encontrei:
não guerreiro destroçado
nas justas da humana grei,
mas guerreiro renascido
nas hostes de Cristo Rei.

Jacó em luta com o anjo,
o anjo coxo o deixou.
Assim tua perna - essa viga
que a granada destroçou -
em Pamplona, para sempre,
por mercê de Deus, tombou.

Se, tal Jacó, não vês coxa
a perna, após a batalha,
quis Deus que para os combates
do mundo não mais te valha:
porém forte e valorosa
para o combate que salva.

Pois da gruta de Manresa
vais surgir novo guerreiro,
depois de em Montserrat,
ser sagrado cavaleiro,
velando as armas no altar
da Dama do mundo inteiro.

Conquistando para o Reino
de Jesus servos leais,
D. Iñigo de Loyola,
em honra da Virgem irás
a cavalgar teu corcel
Nos campos celestiais.

- VIII -

A cavalo ou sem cavalo,
com garbo ou sem garbo irei,
prisioneiro do meu fado
para justas que nem sei:
sem culpa desencantado
do meu Reino e do meu Rei.

Se eu quisesse ser sagrado
cavaleiro não seria,
mesmo estando arrebatado
por tanta fé sem valia:
jazem rotas as bandeiras
no céu da melancolia.

Terá sido um suicídio
que me sagrou logo cedo,
para abraçar o difícil
da vida e do seu segredo,
ou a forma frágil de opor-me
às duras rochas do medo?

Debalde me prendo aos elos
do meu desejo falido,
se espadas tramam duelos 
no meu sangue adormecido:
e não sei mesmo se quero
matar ou ser destruído.

Autor: 
Ângelo Monteiro
Livro: 
Armorial de um Caçador de Nuvens

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