ARMORIAL DE UM CAÇADOR DE NUVENS

- II -

Rumos de prata, esses rumos
traçados pelo poema
no papel sem uma ruga
na sua planura extrema.

Daí dispensar espelhos
temendo que a face cínica
de um demônio estampe neles
a sua imprevista mímica.

Quer o poema despenque
tal uma pedra em meu sono;
Quer me massacre sem pena,
Eu nem por isso o abandono.

Que surja assim, grande intruso,
sem que eu o tenha chamado.
E após se vá, como veio:
Visitante inesperado.

Que importa? Serei a lâmpada
segura a qualquer açoite
dos ventos rubros, possessos,
que me virão pela noite.

Autor: 
Ângelo Monteiro
Livro: 
Armorial de um Caçador de Nuvens

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