Ó ECO, Ó SIBILANTE, Ó SOLIDÃO

Ó eco, ó sibilante, ó solidão,
teu nome em mim boiando: velho rio
já curvo de seguir-te em meio ao frio
da ausência de qualquer vegetação.

Quando não és mais árvore nas margens:
hoje muito mais margens do que dantes,
porque margens somente, sem ramagens
ensombrando-me as águas tremulantes.

Mas sei que não morreste enquanto apelo
Às formas permanentes do que amamos.
E serás um refúgio: mesmo quando

nada houver que se possa merecê-lo.
Quem contempla a miragem dos teus ramos
dura uma eternidade a percorrê-los.

Autor: 
Ângelo Monteiro
Livro: 
Didática da Esfinge

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