SONETO DE DEZEMBRO

Solar e majestático Dezembro
florindo em flamboyants na velha praça.
Quando uma aragem pendular perpassa
são as folhas do outrora que relembro:

tecidas de recôndito silêncio
e do orvalho das horas concentradas
em verticais esperas, nas arcadas
rubras do que já fui nos céus do sempre.

Após abrir serenas travessias
em que deixei passar o sonho infante
e a flor e a flora vária dos meus dias,

eu, no pó dos dezembros banho a face,
buscando reencontrar no morto instante
o motivo do canto e o desenlace.

Autor: 
Ângelo Monteiro
Livro: 
Didática da Esfinge

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