REQUIEM PARA DOREMY

ol era
Sol e Era
        Solo e Hera
                 Só
        Solera
                 Solera
                 So le ra

Trombetas
Trombetas negras
Rompendo os tímpanos da aurora.
Pobre nostálgica rosa
Despetalada sem dó.
Pelas bocas das trombetas
Negras negras negras negras
Pelas bocas das trombetas
Sem dó.
Ó desmaiada aurora
Ou rosa.
Ó carne de Doremy
Esfacelada.
Doremy vais dormir

Sem dó sem dó sem dó.
Debaixo de solo e hera
Não há mais atmosfera
Nem sol nem era.
O mesmo que foi não era
Exatamente não era.
E o que foi carne hoje é cera
E o que foi cera hoje é pó
E o próprio pó hoje é dó
De modo que de ontem a hoje
Não há transição maior.
E o presente fundido
No passado se confunde
No mesmo montão de pó.

E o hoje encontra apenas
De fronteira divisória
(Entre o que foi e o após)
Trombetas repercutindo
Na cansada atmosfera
      Solera
          Solera
                 So le ra

Autor: 
Ângelo Monteiro
Livro: 
Didática da Esfinge

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