SONETO DO DESENCONTRO

Sempre haverá a noite pelo espaço
por mais astros que brilhem nos teus olhos.
Quando uma música tristíssima soando
convencer-te que a tua é transitória.

A nostalgia habitará por certo,
descida não sei donde, o teu solar.
E entre nuvens pretéritas sonhando
buscarás impossíveis reencontros

que nunca se darão, porquanto mortos
os tempos em que o ideal, qual lua plena,
boiava imortalmente sobre os céus.

Algo mudou decerto o rumo e a sorte
das setas desfechadas contra a noite
e cravadas no espaço sem memória.

Autor: 
Ângelo Monteiro
Livro: 
Didática da Esfinge

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