Cantiga equestre ao General Figueiredo

Upa, upa, cavalinho,
upa, upa, ó cavalar.
Um cavalo cavalgando
e outro por cavalgar.
Um cavalo sob esporas
e outro por esporear.

Que grande pasto é o povo:
melhor que qualquer capim!
Eis um mandamento novo
que nos antigos põe fim:
só cresce a glória de um povo
com quartel e com clarim.

Com quartel, porque sem verde
a criação se estiola.
O povo é ave em que a sede
não é de ar mas de gaiola.
E o clarim lhe aplaca a negra
fome que o cresta e desola.

Verde em constante renovo!
Alma em perpétuo festim!
Não passa a nação de um ovo
entre as mãos de um mandarim
que sabe guiar o povo
com quartel e com clarim.

Upa, upa, cavalinho:
existe melhor embalo?
Cavalgando de mansinho,
ou trotando com embalo,
eis-me a gritar no caminho:
meu reino por um cavalo!

Cavalgo e troto com garbo,
haja ou não haja capim.
Não vivo sem meu cavalo,
nem meu cavalo sem mim.
Não passo sem meu quartel
nem o som do meu clarim.

Grito à vida: meu cavalo,
e a vida cavalga em mim.
Em três palavras resvalo
tal em mais fino selim.
Clarim, quartel e cavalo,
cavalo, quartel e clarim.

Upa, upa, cavalinho,
upa, upa, ó cavalar.
Da minha sela fiz ninho,
da espora a luz solar.
Forço o trote, e não definho
dia e noite a cavalgar.

 

Autor: 
Ângelo Monteiro

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