DA ADORAÇÃO EXPECTANTE

- II -

Como se fosse a deslembrada bênção
de um ritual já morto, canto o verde
que só existe porque eu falo dele,
e não mais, como outrora, verde crença.

Daí eu estar sempre expectante
e amar as coisas, mesmo sem crer nelas.
Daí amar além das aparências
as coisas que vislumbro: todas mortas

por antecipação: pungente espelho
no qual me miro, sem qualquer remorso
e, sem mais dor, além do sentimento

de que tudo inexiste após a posse.
Mas que nos fique por amor e fado
o verde sempre eterno e inexplorado.

Autor: 
Ângelo Monteiro
Livro: 
Proclamação do Verde

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