A VISÃO DE UM ANJO DE COSTAS

Não é por mero protesto
nossos cabelos nos ombros:
somos bem pouco terrestres,
somos mais venusianos.

Escondem asas secretas
estes cabelos que usamos:
como todos os estetas
as coisas prefiguramos.

De modo que as imagens
das vossas alegorias
são bem pouco, comparadas
com a nossa telepatia

e o nosso poder de usar
só as palavras supremas:
não somente as necessárias,
mas aquelas que o homem teme.

O resto comunicamos
por meio dos nossos olhos:
em nós, poços de energia,
em vós, poças de silêncio.

Nem contempleis nossos ombros:
cabelos vertiginosos
e tênues, como os abismos,
perturbarão vosso sono.

Autor: 
Ângelo Monteiro
Livro: 
Proclamação do Verde

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