SONETO IV

Eu volto a ti, Amiga, como as águas
há muito represadas sob a terra,
percorrendo um caminho de palavras
até chegar despido ao teu mistério.

E do seu veio límpido e desperto,
hoje, por fim, que as trago libertadas,
delas te oferto o seu cristal mais frágil
e o musgo ainda colado às minhas vestes.

E volto a ti como se volta às fontes
intocadas no tempo. Ou aos sacrários
mais íntimos do sexo. Ou às mucosas

secretas de corola refratária.
Volto lambendo as hastes do silêncio:
tuas flores unindo às minhas águas.

Autor: 
Ângelo Monteiro
Livro: 
Proclamação do Verde

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