SONETO II

Quando o parque da vida for deserto
De rosas ou de vozes. Quando a sombra
Estilhaçar o chão de mortos pássaros,
Cada qual crie um pássaro que cante.

Quando não mais houver nem mesmo parque
E o verde for extinto. Quando o vento
deixar em fragmentos nossas faces,
Rompa o canto as represas do silêncio.

E se prolongue, assim, o desencanto
De amar e de sorrir, ainda que tarde,
Das nuvens ao bailado derradeiro.

Mas permaneça o pássaro em seu canto,
Aos ares restaurando rubro o alarde
De pássaro sem rumo e passageiro.

Autor: 
Ângelo Monteiro
Livro: 
Proclamação do Verde

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