A Divina Comédia e os perigos da Bíblia

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Dante por Agnolo Bronzino

O grupo atende pela nomenclatura Gherush-92: é um dos mais barulhentos grupos de defensores dos direitos humanos entre os muitos que se apresentam como consultores da ONU em questões que envolvem, por exemplo, discriminação e racismo. O alvo da vez, para surpresa da própria cultura ocidental, é A divina comédia, de Dante Alighieri, contra a qual se exige que, para o bem de todos os cidadãos do mundo, seja banida das escolas e universidades por incitação à homofobia, já que colocou homossexuais e sodomitas no Inferno; de antissemita por fazer o mesmo com Judas e alguns gentis fariseus e, ainda por cima, ser anti-islâmica por dar igual destino a Maomé, lá representado como um dos maiores cismáticos e heresiarcas da cristandade.

Deparando-nos com argumentos tão persuasivos seria o caso de concluirmos que muito pior do que Dante é a Bíblia na qual ele se inspirou. A Bíblia é um repositório de perigos realmente indisfarçáveis para o politicamente correto, por mostrar justamente as coisas como ela são, até chegar ao ponto de expor claramente os mais horrendos pecados e mesmo crimes dos seus reis, patriarcas e profetas, sem esconder nada deles nem de ninguém... Não se tem notícia de modelos semelhantes, segundo essa ótica, aos apontados pelos exemplos bíblicos.

Como esquecer a cena em que Abraão, seguindo talvez os labirintos do seu inconsciente, julga entrar na onda de Javé, o seu Deus, ao oferecer o próprio filho Isaac em holocausto, o qual vem a ser salvo, na última hora, pelo próprio Javé? Como passar por cima da sentença divina do Dilúvio que, a pretexto de condenar os pecados não só da carne, mas do espírito dos homens e, entre eles o da idolatria, fez afogar, ao lado desses seres pecaminosos, inocentes animais que, em sua irracionalidade, não poderiam nunca adorar ídolo algum? Não constituiu um brutal e antecipado golpe, por parte de Javé, às leis de proteção aos animais que as pessoas sensíveis de hoje defendem com tanto ardor? Por que até Jesus, o mais perfeito dos personagens bíblicos, achou de expulsar os injustiçados vendilhões do templo que estavam apenas cumprindo, ao seu modo, a ética do mercado, como ela se tornou tão conhecida, entre nós, no mundo não apenas político mas empresarial?

A Bíblia, como esses grupos se esquecem de propagar, constitui um verdadeiro atentado contra a liberdade tanto religiosa quanto sexual... Pois ela não condena, além dos pobres adúlteros, os sodomitas e homossexuais? Nesse caso não é bastante controvertido acusar o grande poeta florentino, e deixar de lado a Bíblia, na qual ele encontrou seu principal paradigma moral e espiritual?

Jornal do Commercio

 

Data da Publicação: 
24 Abril, 2018