AO SENHOR DE TODA ESPERA

Quem já não mais interroga
às raízes do silêncio:
o seu amor busca apenas
ao Senhor de toda espera.

Ele volve a sua Face
verde, virgem e sempre móvel: 
tão bela que me comove
e de luz me dilacera.

Dessa luz que é o nosso dentro
projetado para fora:
como um deus que lhe libertamos
porque dentro nos devora.

Todo o amor que projetamos
para além de qualquer terra:
temendo que a vida manche
o peso do seu mistério.

Amoroso amor sem rumo:
tão belo que desespera,
tão grande que só termina
no Senhor de toda espera.

Autor: 
Ângelo Monteiro
Livro: 
Proclamação do Verde

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