DA ADORAÇÃO EXPECTANTE VII

Não me perguntes pelo último poema,
que a neurose do verso me consome.
E eu não diria nada, sem a fome
de dizer algo de maneira extrema.

Daí calar-me sobre qualquer tema, 
que seja apenas tema, e não se some
ao que eu possua para além do nome
que as coisas circunscreve ao seu dilema.

Talvez, porque o calei, seja mais forte
o verso que não fiz, que vela a face
num sono que é de vida e não de morte:

Aquele mais completo e mais urgente
que, por não se entregar assim tão fácil,
alcance a duração do permanente.

Livro: 
Proclamação do Verde

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