A Nau dos Quinhentos anos

Se a nau de Cabral zarpou
Por que a nossa não veleja,
Com tanto vento a favor
E ciência tão sobeja,
Sem falar que sem motor
Aquela ainda causa inveja?

Outras naus singram seus mares
Enquanto a nossa à deriva
Em seus alheios vagares
Não é das águas cativa:
Em vez da Nau Capitânia
A nossa é a Nau Fugitiva.

A nova Nau Capitânia
Como a velha não deu certo
Só por ser contemporânea
De um capitão mais esperto:
Dobra a costa litorânea
Qual se planasse um deserto.

Ela é emblema de um país
Que sempre está no futuro:
Com um passado sem raiz,
E um presente sem apuro
Tem por destino infeliz
Nunca achar Porto Seguro.

Recife 3 de maio de 2000

Autor: 
Ângelo Monteiro

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