A Fernando Collor

Fingindo fanfarrão alambicado
Esbelto em teu perfil de manequim
Rolas no palco o porte empertigado
Notável presidente de festim.

Avançando, aos compassos de um clarim,
No começo és palhaço programado.
Depois, sobre o Planalto empoleirado,
Ordenhas de palanque e palanquim.

Collorido das mais sinistras cores
O povo enfim acorda, entre pavores,
Logrado uma vez mais, ó gado vil !

Leite extraindo da Globo e sua herança
O Calígula toca, e o povo dança
Roto sobre a miséria do Brasil.

Recife, 1990

Autor: 
Ângelo Monteiro

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