Diálogo Armorial

- Que quiseste com a poesia:
dourar dela a alma inteira?
- Embandeirar a viola
e cantar com fé de escola:
punhal, cavalo e bandeira.

- Por que pediste pousada
em mansão tão traiçoeira?
- Há nada mais armorial
do que ter por festival
punhal, cavalo e bandeira?

Punhal para os males furar,
cavalo para a carreira,
bandeira para espantar
e a vida para louvar
punhal, cavalo e bandeira.

- Se viste que a vida é pouca,
por que ainda prisioneira?
- Como viver tendo à margem
em nossa curta passagem
punhal, cavalo e bandeira?

- Dizes que a vida é pequena,
mais maior é a bebedeira.
- De tal sol não morro virgem:
trago no olhar em vertigem
punhal, cavalo e bandeira.

Recife/1980

Autor: 
Ângelo Monteiro

Comentários

Comentar

Plain text

  • Nenhuma tag HTML permitida.
  • Endereços de sites e e-mails serão transformados em links automaticamente.
  • Quebras de linhas e parágrafos são gerados automaticamente.