LEMBRANÇA DA MINHA AVÓ JOANA

Minha avó bela e antiga
que no azul dos seus olhos conduzia
a chama da princesa adormecida
e a fonte mais remota da poesia.

Minha avó bela e antiga das histórias longevas
perdidas na memória envolvida de trevas.

Mas que mesmo perdidas como Zé Pequenino
enobrecem o meu tempo a sonhar de menino.

Toda infância é avoenga. Toda ela transita
por passagens sem sombra onde a luz só habita.

Toda infância é avoenga
pois na boca primeva das avós
a história do mundo permanece mito.

Toa infância é avoenga
com seus brancos berçários estendidos:
redes de pesca recolhendo, em chamas,
peixes brilhantes de distantes trilhas.

As ladainhas e os cantos se alternando
na boca antiga e rica de berceuses
só não me deram Alice
para atravessar com ela o espelho
e chegar ao País das Maravilhas.

Mas na infância avoenga
quem foi Patinho Feio
poderia ser cisne
(no olhar de eterna Alice)
ou um novo Aladim

que com o poder da lâmpada do Sonho
encontrasse na vida um áureo fim.

Branca de Neve nívea garça ó Graça
na vigília estelar vela por mim

Autor: 
Ângelo Monteiro
Livro: 
As Armadilhas da Luz

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