ELEGIA PARA O MONSENHOR SEVERINO NOGUEIRA

Como os poemas que não se traduzem,
assim são certas vidas: Soberano pó,
           lume em travessia, fé armada
                sobre escombros do tempo
vela perene em língua de fervor.

Hoje o púlpito é só: sem a voz que flameja
do padre ardendo em prece:
Touro de Deus - madeira além dos ossos -
no Verbo a proclamar-se na matriz eterna.

A cadência do sino ainda persegue
a missa para sempre prolongada

           E a voz ainda ressoa
ungida pelo Peixe
           no socorro
de todos os narcisos afogados.

Autor: 
Ângelo Monteiro
Livro: 
As Armadilhas da Luz

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