Ângelo Monteiro toma posse na Academia Pernambucana de Letras

Nunca houve valorização tão grande do passado quanto nos tempos atuais. Até porque viver só no presente é a negação da história. A contemporaneidade precisa caminhar junto com o aspecto conservador. Essa reflexão marca o ingresso do filósofo e poeta Ângelo Monteiro, 71, em uma instituição cuja função primordial é, na definição dele, “preservar a memória da cultura, sobretudo das criações na língua”. Nesta quinta-feira (27), às 19h, o escritor toma posse da cadeira 34 da Academia Pernambucana de Letras (Avenida Rui Barbosa, 1596, Graças).

Alagoano radicado em Pernambuco, Ângelo acredita na retomada das tradições, mas sem deixar de lado a inovação. “Exemplo disso é o retorno da valorização do metro na poesia, ou as renovações da pintura, que ocorrem a partir da memória. Van Gogh, Matisse, Salvador Dalí, todos eles voltaram ao passado para criar o novo. Ninguém parte do nada. A cultura é sempre uma luta entre a permanência e o inaugural”.

Na opinião de Ângelo Monteiro, a APL naturalmente possui uma dinâmica de associar o aspecto conservador à renovação, na medida em que abriga acadêmicos dos mais diferentes perfis. “Por lá, passam desde Carneiro Vilela até Evaldo Coutinho e Gilberto Freyre, figuras que entram para trazer o novo”. Como pede a tradição, o discurso de posse do novo acadêmico será uma saudação aos escritores que já ocuparam a cadeira, como José Nivaldo Barbosa de Sousa e Ruy de Ayres Bello.

Entre as obras publicadas por Monteiro, destaque da Geração 65 da literatura pernambucana, estão Escolha e sobrevivência (2008), O conhecimento do poético em Jorge de Lima (2003) e Os olhos da vigília (2001), O exílio de Babel (1990) e As armadilhas da luz (1992). Em 2013, foi publicada Canto da esfinge, antologia da obra do novo acadêmico.

 

Diario de Pernambuco - Felipe Torres

27/03/2014

Data da Publicação: 
27 Março, 2014