ÚLTIMO DESTINO

Querem-me apenas um código
e não mais (como dantes) a medida das coisas.
Querem-me reduzido a um número computável
um microcosmo expresso em número: semente
do mais branco amanhã.

Querem-me o melancólico destino
das cédulas sem valor: de efígies que se escoam
- depois do seu brilhar efervescente -
na vala do último plano monetário.

Moeda sem troco
número sem falta
nota sem pauta
sob o sol-por.

Quem me dera ainda o perdido esplendor:
solitário de números e nomes.

Autor: 
Ângelo Monteiro
Livro: 
As Armadilhas da Luz

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