DIFÍCIL É A PALAVRA. A VIDA CURTA AUSÊNCIA

XLV
Difícil é a palavra. A vida curta ausência.

E a chama dessa vela não se irá apagar.
As nossas intuições, sob incorrespondência,
Depois de tudo findo acharão o seu lar.

As visões já sonhadas na mais pura essência,
Como incenso involátil sempre hão de pairar
Sobre os nichos que erguemos no amor da existência,
Quando então cada prece ardia sobre o altar.

Quanta expectação e quanta maravilha
Nas mãos que se buscavam para achar o nada
Mas nesse nada a aurora de uma nova trilha.

E nos brancos caminhos da infância sem portos
Como um brasão se inscreve - embora destroçada -
A pureza, esse aroma de eucaliptos mortos.

Autor: 
Ângelo Monteiro
Livro: 
O Exílio de Babel

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