SEMEAI VOSSO VÉU, Ó SÓROR, COMO UM BÁLSAMO

XXXVI
Semeai vosso véu, ó Sóror, como um bálsamo

Sobre as chagas do Sonho e a alva da agonia.
Semeai o brancor desse véu intocado
Sobre os cárceres loucos do amor em vigília.

Semeai vosso véu aos que tentam de espada
O seu Cálice de ouro revolver nas ondas
E às sereias soprando em seus ouvidos pasmos
Que o Reino que os exalta é mais longe, mais longe.

Semeai vosso véu pelos olhos sonâmbulos
Pelas almas tentadas do clamor da neve
Pelas chamas dobradas no curvar dos anos.

Transformai em seu manto o Crescente de praga
Em Crescente de amor. E o vosso véu desperte
Nas terras movediças do seu peito a paz.

Autor: 
Ângelo Monteiro
Livro: 
O Exílio de Babel

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