QUE DELÍCIA ESSE AMOR QUE NÃO EXISTE

XXXIV
Que delícia esse amor que não existe

A febre sob os pântanos do nada
O soar dessa eterna gargalhada
Sobre a máscara pobre do ser triste.

Não preparo a alegria: ela é pequena,
E só vem quando o podem seus pés frágeis.
As asas da tristeza são mais ágeis
Mas a sua passagem mais serena.

Mais do que o sono a insônia me revele
As formas que abracei como se vivas
Contra o calor da minha acesa pele.

Sei que ao fim dos fantasmas que hoje inflamo,
Pulsarás, plena de ânsias primitivas

Autor: 
Ângelo Monteiro
Livro: 
O Exílio de Babel

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