NA VIAGEM QUE PROSSIGO PELA TREVA

XXIX
Na viagem que prossigo pela treva

Meu coração há de romper represas:
E domando-te o peito sem defesas
Em tua carne reconheço Eva.

Sangrando em sacrifício a tua mesa
Celebro a minha missa ardente e cega:
E a tua boca em cruz meu mal renega
A cada dia que ama a vela acesa.

E acesa a vela, amor, no candelabro
A carne (toda em alma) te comungo
E - nua - em minha espada te consagro.

Em ti todas as portas ao Sol abro:
Estás longe da morte que excomungo
Estás perto da vida que ressagro.

Autor: 
Ângelo Monteiro
Livro: 
O Exílio de Babel

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