ERA UM AMOR AZUL E OUTRO VERMELHO

XXVIII
Era um amor azul e outro vermelho

E ambos me disputavam o coração.
Cada um o possuía por espelho.
Cada um o possuía por condão.

O azul traçava o mais celeste ardil:
Linear como a linha do horizonte. O vermelho por ser o mais febril
Achava inesgotável a sua fonte.

Um dia abandonaram-no de vez:
O azul voltou atrás do céu perdido
E o vermelho na carne se desfez.

Mas da ausência dos dois por fim liberto
Cobri-me do vermelho proibido
E incendiei de azul o meu deserto.

Autor: 
Ângelo Monteiro
Livro: 
O Exílio de Babel

Comentários

Comentar

Plain text

  • Nenhuma tag HTML permitida.
  • Endereços de sites e e-mails serão transformados em links automaticamente.
  • Quebras de linhas e parágrafos são gerados automaticamente.