NO FIO SOLAR DA TUA VOZ PRESSINTO

XXI
No fio solar da tua voz pressinto

Ariadne-a-irmã calma que me leva
A abater, no escabroso labirinto,
O Minotauro em seu trono de treva.

O Minotauro em guarda no recinto
Da própria alma, onde o sol nunca se eleva.
Mas, matando-o, desfaço o labirinto
E renasço Teseu sangrando a treva.

Eu, que do monstro me tornei amigo,
Mesmo após devorar-me a própria alma,
Por que matá-lo hoje afinal consigo?

O fio que me estiraste foi-me além:
Pois - destronando a fera - herdei por palma
Não ser o minotauro de ninguém.

Autor: 
Ângelo Monteiro
Livro: 
O Exílio de Babel

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