ADORMECIDA ESTÁS NO MAIS SECRETO

XIX
Adormecida estás no mais secreto

De mim que não te vejo mas pressinto
A tua solidão de labirinto
Buscando-me na imagem que eu projeto.

Por te conter ou me conter repleto
Não nos cabemos em nenhum recinto:
E assim no quanto penso e quanto sinto
Não distingo o sujeito ou o objeto.

Alongo a noite em dia e o dia em noite.
Sei que a morte vigia de olho ágil,
E o tempo é o seu verdugo e o seu açoite.

Mas como despertar-te, adormecida,
Se nas dobras da treva és mais que frágil,
E a claridade mata-te com a vida?

Autor: 
Ângelo Monteiro
Livro: 
O Exílio de Babel

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