A BUSCA NÃO SE ADIA. SEJA A BUSCA ANSIOSA

XVIII
A busca não se adia. Seja a busca ansiosa.

Fervente freira louca a pulsar pelo encontro.
Sobre a morte das almas ainda brilha a rosa
Do velho sonho humano em face ao desencontro.

Toda busca é urgente, inda que só de um dia.
Tudo quer consumar-se no êxtase do instante,
E na busca arrancar das pedras melodia
E correr contra o tempo, o tempo o eterno infante

Que tanto nos tortura ao tentar alcançá-lo,
Que tanto nos fatiga na corrida vã
Em demanda do amor para depois negá-lo.

Mas da vida abarcando as últimas entranhas
Quem sabe nos espere aquela ansiada irmã
Cheia de graça e glória a habitar as montanhas.

Autor: 
Ângelo Monteiro
Livro: 
O Exílio de Babel

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