MEU MENINO PERDIDO E MUITO AMADO

XI
Meu menino perdido e muito amado,

Trotando um cavalinho noite e dia,
Ao sopro de um realejo, pelo prado
Da sala doente de melancolia.

Que pena o cavalinho ter chegado
Quando a espada do ocaso refulgia.
Mas corre - além de todo mal lembrado -
Com o realejo na boca da alegria.

Cavalga, filho meu, que o pai bem perto
(Por mais longe que estejas) será ninho
Do teu sonhar infante no deserto.

Que dele fez um impotente guia
De quem de realejo e cavalinho
Cavalga sobre a dor de todo dia.

Autor: 
Ângelo Monteiro
Livro: 
O Exílio de Babel

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