BALADA PARA ISABEL

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A ti, Isabel, oferto
Em campo de estranha lavra,
Um coração já desperto
E a incendiada palavra:
Brasão que eleva ao deserto
A chama de si escrava.

Clamei-te em vão pelo rosto,
Mas teu rosto se ocultava
Entre os brilhos do sol posto
E da manhã quando raiava:
Mas tinha a alma em seu desgosto
A chama de si escrava.

Ante amplas salas vazias
Tua presença invocava.
As mãos, cada vez mais frias,
Os subterrâneos cavava:
Mas o rosto escapulias
À chama de si escrava.

Ó veredas de perigos!
Espinhais da terra brava!
Castelos reais antigos
Que a névoa esfumaçava!
Doces fantasmas amigos
E a chama de si escrava.

Cigana que em romaria
Busquei no meu sonho em lava!
Ó olhar negro que doía
No olhar do que a buscava:
Que mantinha, em pleno dia,
A chama de si escrava.

O tropel do tempo trouxe
Àquele que cavalgava
Pelos anos, a estrela doce
Que a fronte lhe iluminava:
E por milagre alastrou-se
A chama de si escrava.

Por isso, Isabel, te oferto
Sobre o altar da palavra
O coração descoberto
Que do sempre te ansiava:
E ao teu olhar negro e aberto
Minha mão da tua escrava.

Autor: 
Ângelo Monteiro
Livro: 
O Rapto das Noites ou o Sol como Medida

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