PRESENÇA DE LADJANE

Em meu poço de exílio
Tua imagem tombou serena. E o teu desenho
Em chamas é um bordado de dor
Sobre a turva claridade
Que as sobrancelhas ensombra

E que torna mais pretos
Os teus olhos de vidro,
Onde castelos trêmulos dançando
Pedem mãos que os protejam
Contra a noite frágil deles mesmos.

Vejo o meu paletó sobre os teus ombros
Como redoma ou manto
Te envolvendo: sou teu guia de sombra,
Teu fantasma. E leve, leve,
Dentro de mim prossegues caminhando.

Desperto o calor doce que me deste
Já antes de nascida.
E volto aos tempos virgens
Se socorro em tuas mãos tenras a chama
Da minha vida em fuga e sem saída.

Réplica perfeita
Do meu corpo no teu transfigurado.
Em doçura mudaste as linhas do meu rosto
Inquietado pelo sopro dos infernos,
Mas que busca em tua infância o amor perdido.

Autor: 
Ângelo Monteiro
Livro: 
O Rapto das Noites ou o Sol como Medida

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