TEMPO DE FALTA

Os dias de agulhas traspassam
A nossa carne
E infeccionam o nosso sangue.

Os ponteiros de todos os relógios
São agulhas, agulhas
Infeccionadas de tempo.

Tempo de adiamento
De uma vida sem futuro
E também sem livramento.

Tempo-semente de falta
Que faz da vida um jejum. E o amor revoa, revoa:
Ave de lugar nenhum.

Autor: 
Ângelo Monteiro
Livro: 
O Rapto das Noites ou o Sol como Medida

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