OS EXILADOS

Os exilados voltam. Os exilados voltam
Mas a nossa alma anseia em vão pela perdida pátria.
De tantos irmãos desencontrados pela espera
Não mais bóiam em nossos olhos os vestígios da face.

Só nossa alma suplica esse país sem nome
Que, além de qualquer mapa,
Se interpõe como um suplício
Entre o nosso anelo de aves solitárias
E a sua cada vez mais arenosa distância.

Mas se ela porventura vier a conhecê-lo
Quem garante que fugirá do cerco de si mesma
Essa alma que só conhece o grito dos perdidos
Sem socorro no mar como na terra?

E ainda se nos mandarem a pomba,
Com seu ramo de oliveira,
Ou o arco-íris da velha aliança,
Pensaremos sempre num recomeço do dilúvio
Em que se afogará, dessa vez, sob a arca vazia,
A última lembrança dos nossos nomes.

Autor: 
Ângelo Monteiro
Livro: 
O Rapto das Noites ou o Sol como Medida

Comentários

Comentar

Plain text

  • Nenhuma tag HTML permitida.
  • Endereços de sites e e-mails serão transformados em links automaticamente.
  • Quebras de linhas e parágrafos são gerados automaticamente.