O ANDRÓGINO

Na esfera eu não vejo a esfera, mas o globo.
No esquadro eu não vejo o esquadro, mas o olho de Deus.
Assim no Homem e na Mulher não vejo mais que dois pólos
Que regressam ao Andrógino. E Deus é o Andrógino.
A solução da ambigüidade. A coincidentia oppositorum.
A unidade da Trindade.
Assim por trás do avião está o homem-pássaro
Por trás do submarino está o homem-peixe
E por trás do homem, do pássaro e do peixe
Estão as descobertas do Poeta. E o Poeta é o Andrógino
Do pássaro e do peixe: da parte que voa
E da parte que se deixa submergir.
O Homem é sempre um animal que regressa:
Regressa ao Ar e é o homem-pássaro
Regressa à Água e é o homem-peixe
E reúne as contradições todas nos seus limites
Que jamais se encontrarão a não ser no Andrógino,
Que é seu Fogo. E só por ele domará a Terra 
E o macho e a fêmea em luta sobre ela.

Autor: 
Ângelo Monteiro
Livro: 
O Rapto das Noites ou o Sol como Medida

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