A MALA

Atirei a mala sobre o mar
E o mar sobre a mala
E o mar sobre a mala
Se debateu.

Mas porque atirei a mala
Volúvel razão me cala
Pois nem sei como fui eu.

Negra e súbita maré
Depois se abre aos meus pés
E eu vago atrás dessa mala
Como de algo íntimo e meu.

Até hoje procuro a mala
E o mar não ma devolveu.

Autor: 
Ângelo Monteiro
Livro: 
O Rapto das Noites ou o Sol como Medida

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