DÉCIMO SEGUNDO TEMA SEM JÚBILO

Esperava encontrar a paz na Porta:
por que o abrir-se da Porta é uma ilusão,
ainda quando, inteira, ela se abra?

Que nela existe que a mantém fechada,
e morta a alacridade dos seus gonzos,
dela despertam novas fechaduras?

Antes que fosse aberta se escondia,
e que se esconde depois de ser aberta,
que uma delícia oculta te destrói?

Como um templo por fora, ela preserva
os que não ousam entrar, e não protege
os que vivem em seus átrios mais secretos?

Por que a Porta ou o Templo não resguarda
os que bebendo o sangue do seu culto,
nunca se separaram do seu Cálice?

Ó Porta incomparável, em que se ancora
aquele que não busca em ti refúgio,
que queres ensinar-nos com teu pânico?

Ó porta incomparável pra quem sonha
além do paraíso: por que as relvas
são mais verdes em ti do que na Vida?

Autor: 
Ângelo Monteiro
Livro: 
O Inquisidor

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