SÉTIMO TEMA SEM JÚBILO

- I -

Nabucodonosor, temeste um Sonho,
ao convocar de Babilônia os sábios,
à tua presença, para o decifrar?

Ou não foi só temor, mas maravilha:
ficares perturbado por um Sonho
de que lembrança não guardavas mais?

E por que teu furor diante dos sábios,
que difícil acharam decifrar
um Sonho que não lembra ao próprio rei?

- II -

A poderosa grama do teu Reino,
ó grande Rei, lembrar não pode aos sábios
que sonho dado é sonho decifrado?

Que o verdadeiro sonho se adivinha,
não a partir do que se sabe dele,
mas sim do que escurece ao seu lembrar?

Que sábios só serão diante do Rei,
aqueles que, além do sonho dado,
decifram os que a lembrança sepultou?

- III -

Porque muito sonhaste, ó grande Rei,
viverás quantos séculos na Trama
que urdiste aos que se negam à voz do Sonho?

Entre véus pastarás a tua sombra,
doída de ser sombra, ao sol do trono
de Babilônia, ao seu mortal calor?

Pai das ervas terrestres queres ser,
ou da grama celeste dos jardins
suspensos, para sempre, do teu reino?

Autor: 
Ângelo Monteiro
Livro: 
O Inquisidor

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